Construção de um “morcegódramo público”, brigas entre vizinhos e parentes, desabafos, cachorros que latem demais. Essas são algumas das reclamações diárias feitas por ligações telefônicas para a Ouvidoria Pública de Santos.
A chefe de setor da Ouvidoria, Tânia Mara Mota, destacou casos de reclamações fora do comum. Um deles é o caso de uma moradora que pediu para que fosse construído um “morcegódramo público”, que concentre todos os morcegos da cidade, para que não causem danos ou até a morte dela ou de sua filha por um possível choque delas com um animal. Caso isso aconteça, não haverá quem pague a indenização. Outro caso foi de uma senhora que ligou para saber o motivo da comida de peixe estar tão cara. Alguns moradores reclamam do acesso do carro de bombeiros à areia da praia, pois a circulação de automóveis não é permitida no local, no momento em que se faz um salvamento, ou acham ruim porque o cachorro do vizinho late muito.
Reclamações envolvendo maus-tratos de animais são encaminhadas ao setor que cuide da proteção ao animal, e a partir daí é feito um acompanhamento que constate se há ou não veracidade na denúncia.
Casos mais freqüentes são de brigas entre parentes e vizinhos, em que os envolvidos procuram uma solução na Ouvidoria. Esses casos são encaminhados para o setor de polícia.
Segundo Tânia, o motivo dessas reclamações fora do normal é a falta de conhecimento da população quanto à função da Ouvidoria, que é a mediação entre a Prefeitura e os munícipes. “Os moradores da cidade acreditam que todo tipo de problema deve ser reclamado na Ouvidoria, e também fazem muitas críticas ao atendimento por não resolverem seus problemas imediatamente.”
Algumas vezes, os moradores querem apenas atenção e a Ouvidoria, de acordo com Tânia, acaba servindo como um Centro de Valorização da Vida (CVV), em que muitos só querem conversar. Há moradores que telefonam para a Ouvidoria com a intenção de desabafar, e grande parte desses moradores são idosos, que têm necessidade de contar sua vida e o que os aborrecem em seu dia-a-dia. “Os trabalhadores da Ouvidoria são muito bem treinados para responder a todas as pessoas com paciência e eficácia”, diz a chefe.
Os casos que necessitam de encaminhamento para outros setores podem demorar um pouco mais para obterem uma solução, e isso acaba irritando a população.“As pessoas acreditam que o motivo da demora para tratar de certos casos seja a falta de competência de quem trabalha no setor, porém não é verdade”. A Ouvidoria tem o dever de solucionar casos que tenham relação entre a Prefeitura e a população santista, dependendo de terceiros para resolver outro tipo de assunto. Há quatro formas de fazer reclamações: telefone, fax, e-mail ou pessoalmente. Nesse último caso é feito um Boletim de Ocorrência que é encaminhado para o setor competente.
Sheilla Oliveira