‘Não há nada mais bonito do que ser independente’

Novembro 29, 2007

Ah! A independência. Como diria Sérgio Sampaio, em Sinceramente (1982): “Não há nada mais bonito do que ser independente”. A liberdade para escrever sempre foi perseguida pelos jornalistas. A história da imprensa teve em suas entranhas a figura do libertário. A liberdade, enfim, sempre foi o maior sonho destes profissionais.
A imprensa nanica, nos anos 60/70 cumpriu parte desta árdua tarefa, mas competiam na mesma esfera que os gigantes do mainstream. Porém com a popularização da internet, o apoderamento da utilização das ferramentas e possibilidades de utilização que esse novo meio possibilitou, a imprensa independente teve, pela primeira vez, frente para competir, até com certo grau na dianteira, contra a grande mídia.
Contudo, essa (re)volução só foi possível com outras movimentações sociais. Reflexo da geração Maio de 68, a internet é produto do idealismo e caráter libertário pregado pelo movimento. Nesse mote, outras demandas, que aparentemente não têm ligações, estão unidas na batalha contra o establishment: Software livre, Creative Commons, movimentos sociais… são ferramentas essências para o a busca da liberdade jornalística.
O exemplo da Ciranda.net tem gerado nos filhos.
O ciclo de debates, O Comum, é um deles. Realizado em cinco capitais, o evento tentou discutir outra realidade possível. Elevar a cultura como o epicentro da “mundialização” econômica.
O projeto embrionário 100canais visa revolucionar a forma de fazer jornalismo cultural.

Mas, afinal, qual o fio condutor que une tais projetos? A busca da liberdade, de uma nova ordem, do novo… ah! o novo! a velha busca humana de experimentar o novo mundo novo.


Jornalismo On-line: Ou a ode à independência jornalística

Novembro 28, 2007

A jornalismo setorizado e especializado em uma tema, cada vez mais esquecido no jornalismo tradicional, tem ganho maior força no ciberespaço. Será esse o futuro para o jornalismo? Terá a pluralidade tanto procurada – e mascarada para aumentar as vendagens ou índice de audiência.

Ultimamente, a WEB tem sido o maior impulso para o estagnado jornalismo praticado no país. Sem as limitações de papel e de tempo e espaço na programação dos Rádios e TV, os jornalistas da grande mídia, em seus blogues pessoais, puderam aliviar um pouco da culpa e das pressões empresarias das famílias que controlam as comunicações no Brasil.

Pelo menos no início, os blogues cumpriram o papel que era incumbido à imprensa nanica, nos distantes anos 60/70. Até fenômenos de acesso, como o caso do Noblat, despertar o interesse mercadológico dos empresários da informação. Em busca da tal “interatividade”, os meios tradicionais recorrem à Internet para uma das premissas do jornalismo, dar voz ao cidadão.

Nessa onda, acostumou-se ouvir sobre o tão divulgado jornalismo participativo. Os jornais impressos e canais de notícias 24horas enfatizam como uma revolução nos meios de comunicação. Percepção um tanto tardia, ainda mais para atividade que precisa entender e explicar o comportamento da sociedade.

A revolução pregada pelos meios tradicionais já uma realidade há algum tempo. Em uma atmosfera em que todos são possíveis produtores de conteúdo, o excesso de informação poderá ser mais perigoso que parece. Será que essa prática é realmente aproveitada pela grande mídia, ou apenas mais uma forma de não-cobertura, expondo ao excesso e complexidades da WEB. A eterna teoria da desinformação.

Por outro lado, a empreitada vitoriosa da Ciranda.net, e das redes sociais on-line, têm mostra parte do potencial inexplorado da WEB: Segmentação e profundidade. A busca pela informação é do leitor e não mais do produtor. Esta perda do controle tem deixado algumas famílias no país de cabelos em pé.

Portais de publicações, como o da Piauí e a da Revista Brasileiros, apostam na reformulação do publico leitor pelo meio digital. Tanto que exploram as ferramentas multimídias para atrair seu público. Nas páginas da Piauí, podcast e vídeos são fichinhas diante das possibilidades oferecidas. Poemas, quadrinhos, histórias humanizada, fórum, aprofundamento das temáticas publicadas na revista… Bom, mas não há nada de novo neste balaio. E nem precisa ter. O mais interessante na WEB não é a invenção, mas sim como utilizar as ferramentas disponíveis com criatividade e ineditismo.

Mas, nem tudo são flores, mesmo na Internet, para se manter um mínimo de estrutura há a necessidade de investimentos e da publicidade entre bites e bytes. Aventuras audaciosas, como o NoMínimo e Carta Maior, pagaram o preço alto por apostarem em linhas editorias independentes, mas refém às engrenagens do sistema econômico. Como a Revista Realidade, o NoMinimo deixará órfãos muitos leitores. Sem dinheiro, teve que dispensar um time de primeira grandeza do jornalismo nacional. Pelo mesmo motivo, a redação da Agência Carta Maior foi reduzida.

Processo inverso, o portal Le Monde Diplomatique deixou as telas virtuais para ganhar as bancas. A revolução está apenas na ponta do Iceberg. Impossível medir os impactos do ciberespaço no jornalismo, ainda mais pelas mudanças constantes de tecnologias e fenômenos das ferramentas do momento. Sem contar com as esperadas TV Digital e a WEB 2.0.

Ao futuro, e que ele seja breve.