Jornalismo On-line: Ou a ode à independência jornalística

Novembro 28, 2007

A jornalismo setorizado e especializado em uma tema, cada vez mais esquecido no jornalismo tradicional, tem ganho maior força no ciberespaço. Será esse o futuro para o jornalismo? Terá a pluralidade tanto procurada – e mascarada para aumentar as vendagens ou índice de audiência.

Ultimamente, a WEB tem sido o maior impulso para o estagnado jornalismo praticado no país. Sem as limitações de papel e de tempo e espaço na programação dos Rádios e TV, os jornalistas da grande mídia, em seus blogues pessoais, puderam aliviar um pouco da culpa e das pressões empresarias das famílias que controlam as comunicações no Brasil.

Pelo menos no início, os blogues cumpriram o papel que era incumbido à imprensa nanica, nos distantes anos 60/70. Até fenômenos de acesso, como o caso do Noblat, despertar o interesse mercadológico dos empresários da informação. Em busca da tal “interatividade”, os meios tradicionais recorrem à Internet para uma das premissas do jornalismo, dar voz ao cidadão.

Nessa onda, acostumou-se ouvir sobre o tão divulgado jornalismo participativo. Os jornais impressos e canais de notícias 24horas enfatizam como uma revolução nos meios de comunicação. Percepção um tanto tardia, ainda mais para atividade que precisa entender e explicar o comportamento da sociedade.

A revolução pregada pelos meios tradicionais já uma realidade há algum tempo. Em uma atmosfera em que todos são possíveis produtores de conteúdo, o excesso de informação poderá ser mais perigoso que parece. Será que essa prática é realmente aproveitada pela grande mídia, ou apenas mais uma forma de não-cobertura, expondo ao excesso e complexidades da WEB. A eterna teoria da desinformação.

Por outro lado, a empreitada vitoriosa da Ciranda.net, e das redes sociais on-line, têm mostra parte do potencial inexplorado da WEB: Segmentação e profundidade. A busca pela informação é do leitor e não mais do produtor. Esta perda do controle tem deixado algumas famílias no país de cabelos em pé.

Portais de publicações, como o da Piauí e a da Revista Brasileiros, apostam na reformulação do publico leitor pelo meio digital. Tanto que exploram as ferramentas multimídias para atrair seu público. Nas páginas da Piauí, podcast e vídeos são fichinhas diante das possibilidades oferecidas. Poemas, quadrinhos, histórias humanizada, fórum, aprofundamento das temáticas publicadas na revista… Bom, mas não há nada de novo neste balaio. E nem precisa ter. O mais interessante na WEB não é a invenção, mas sim como utilizar as ferramentas disponíveis com criatividade e ineditismo.

Mas, nem tudo são flores, mesmo na Internet, para se manter um mínimo de estrutura há a necessidade de investimentos e da publicidade entre bites e bytes. Aventuras audaciosas, como o NoMínimo e Carta Maior, pagaram o preço alto por apostarem em linhas editorias independentes, mas refém às engrenagens do sistema econômico. Como a Revista Realidade, o NoMinimo deixará órfãos muitos leitores. Sem dinheiro, teve que dispensar um time de primeira grandeza do jornalismo nacional. Pelo mesmo motivo, a redação da Agência Carta Maior foi reduzida.

Processo inverso, o portal Le Monde Diplomatique deixou as telas virtuais para ganhar as bancas. A revolução está apenas na ponta do Iceberg. Impossível medir os impactos do ciberespaço no jornalismo, ainda mais pelas mudanças constantes de tecnologias e fenômenos das ferramentas do momento. Sem contar com as esperadas TV Digital e a WEB 2.0.

Ao futuro, e que ele seja breve.


Um domingo na República das Bananas

Maio 7, 2007

Enquanto um famoso programa dominical tenta jogar a opinião pública contra uma portaria que visa à classificação indicativa para os programas de TV, alegando como espécie de censura, mais um jornalista foi assassinado por desempenhar seu papel.

Foi ao ar ontem, em um programa televisivo de renome, uma reportagem sobre a portaria 264/7 do Ministério da Justiça, que regula a classificação indicativa de programas, filmes ou qualquer obra de audiovisual exibidos pelas emissoras de televisão aberta. Em um discurso claramente exagerado contra o projeto, com argumentações duvidosas e, em certos pontos, não coerente com a emenda, na clara tentativa de colocar a opinião pública temerosa com a censura. O que, na verdade, esconde os reais interesses da “gigante” brasileira, contrária à nova regulamentação. Disfarçada em outras matérias, o tema censura este em voga em dois episódios. Sobre a proibição da biografia do Roberto Carlos e “cenas inéditas” sobre a censura no Brasil, datada de 1983, período mais brando da censura militar.

Por que a “poderosa” tem medo da portaria? Seria pelo conteúdo dos seus programas (digo novelas, seriados), visto que o jornalismo não será afetado pela portaria, que apenas regula horários adequados à faixas etárias. Parecido com o sistema inglês de classificação indicativa. Não sou favorável a um departamento decidir o que devo ou não assistir, tampouco afirme o que é bom ou ruim, mas as redes de televisão deveriam ter certo senso crítico ao levar programas ao ar. Infelizmente, hoje, a qualidade é medida em números do IBOPE. Com isso, a qualidade da TV brasileira cai em profundo precipício. Além do mais, a censura burocrática não seria possível nos dias atuais, devido ás novas tecnologias de comunicação.

No mesmo domingo, no interior do Estado de São Paulo, mais um jornalista tem sua voz calada pela censura econômica (e esta sim me dá medo). Luiz Carlos Barbon Filho, 37 anos, pai de duas crianças, casado, foi assassinado. A polícia suspeita de crime por encomenda. Os mandantes, segundo suspeitas, seriam os envolvidos em um esquema de aliciamento de menores, na cidade de Porto Ferreira (228 km de São Paulo). O caso tornou-se público graças às investigações do jornalista. Sua esposa afirma que recebiam ameaças pelo telefone. Barbon fechou seu jornal devido às ameaças.

Isso sim é censura.

A Associação Nacional dos Jornalistas divulgou uma nota lamentando o crime. Ficaremos só no lamento e nas palavras de indignação? Aos poucos, estão nos amordaçando, calando nossas vozes, mutilando nossos dedos, comprando nossas palavras. Silenciando-nos com chantagens, ameaças e mortes. Cadê a nossa união jornalística? Mas, tudo bem, não foi comigo mesmo. Enquanto o perigo ronda a casa do vizinho, tudo bem, não está no nosso quintal. Quando o vizinho pediu ajuda, recusamos, afinal não corremos perigo mesmo. Ele se foi. Nada fizemos, não é a nossa “realidade”, ainda está distante de nós… Hoje foi um Barbon, no passado foi um Lopes, no futuro poderá ser um Silva, um Brandão, um Pereira, um Peres… Apenas um sobrenome na lápide. Aí, meus amigos, será tarde demais.

Mas, afinal, era final dos campeonatos estaduais. Uns choravam, outros riam, outros nem se importavam. Assim se foi mais um domingo.

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Eduardo Henrique Brandão


1984… nem tão longe assim

Maio 4, 2007

No romance 1984, de George Orwell, o protagonista, Winston, trabalhava em um departamento a qual não sabia o real desempenho. Ele era obrigado a reescrever tudo que fora publicado na imprensa, conforme as últimas decisões do “Grande Irmão”. O correr da história tem nos mostrado a relação entre poder ditatorial e liberdade de expressão. Napoleão ao tomar o poder na França proibiu todas as publicações existentes. Ele criou o seu periódico. Assim, a censura tem caminhado com a ditadura em todos os períodos históricos. Limitado, antes, à queima de publicações, proibições de impressão de livros, quebras de redações e gráficas, entre outros exemplos.

Voltando ao trabalho do Winston, sua rotina era reescrever parte de notícias do passado ao agrado das últimas decisões governamentais. Claro que de modo a favorecer o governo e controlar a opinião pública – inexistente na obra. Na ficção, eliminavam-se os arquivos, mas com cópias devidamente guardadas, o que era reescrito imprimia-se quantidade suficiente para equipar as bibliotecas e registros oficiais.

O que parecia irreal em outras épocas, tem prática comum nos dias atuais. No jornalismo on-line, a reescrita, usado como um tipo de “correção” é facilmente realizado, devido à forma de publicação desta maneira de levar a notícia ao público. As páginas da web, a qual são lidas as informações na Internet, são arquivas em computadores de grande porte, chamados de servidores. Toda a Internet se baseia em linguagem de programação, em termos simples, conjunto de regras e códigos universalizados. Somado com o conteúdo (jornalístico ou não), é gerado um arquivo, e este permanecerá no servidor, podendo ser modificado, acrescentado conteúdo ou até mesmo excluído.

Os serviços de blogs oferecem maneiras simples de editar e de excluir o que se posta. O que de princípio parece inofensivo e cômodo, mas em mãos erradas poderá ocasionar a reescrita do que foi produzido. Mas, em blogs, o conteúdo é, em grande parte, fruto de visões de quem escreve. Raramente defendendo interesses políticos ou econômicos. Contudo, toda a informação contida na “teia mundial” está passiva de sofrer influências. Não é mistério para ninguém que toda a imprensa sofre alguma forma de controle. Entretanto o que está impresso dificilmente poderá ser reeditado.

Meu medo é que, com o passar do tempo, modifiquem o que foi escrito nos dias atuais. Somado ao excesso de informações que somos bombardeados todos os dias, gere, o que cada vez mais é visível, a desinformação, além da possível anulação da opinião pública. Analisando os exageros cometidos pelos meios eletrônicos, temos que concordar com Werner Herzog, ao afirmar que “A solidão humana crescerá na proporção direta da rapidez do avanço das novas formas de comunicação”.
Na obra do Orwell, pensar era proibido, escrever era condenável. O idioma transformado, encurtando a quantidade de palavras e significado. Em nossa realidade, pensar está se tornando cada vez mais nivelado, lamentavelmente para pior. Nos blogs há espaço para expor seus pensamentos, que em muitos casos são cópias de outros blogs. E o idioma (!?), nem se faz necessário comentar o “internetês”. Ainda não estão reescrevendo o passado. Ainda…

Eduardo Henrique Brandão

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